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Fala Escrita inicia projeto para criação de objetos de aprendizagem

A Fala Escrita, recentemente, iniciou um projeto para formulação de objetos educacionais junto a empresas parceiras. Objetos educacionais, ou objetos de aprendizagem, são, de uma maneira geral, ferramentas de ensino aprendizagem que recorrem à dispositivos tecnológicos. Tais instrumentos tornam-se cada vez mais imprescindíveis na contemporaneidade, considerando que diferentes mídias, linguagens e tecnologias notoriamente ocupam grande espaço no cotidiano dos jovens, principalmente.

As possibilidades de trabalho pedagógico oferecidas pelos objetos educacionais extrapolam a simples ilustração de conteúdos ou formas de recreação, pois dão ao aluno a oportunidade de agregar diferentes camadas de aprendizagem por meio da relação, desconstrução, e reconstrução dos conhecimentos. Representar ou interagir com tecnologias ou personagens e fatos históricos, por exemplo, fazendo uso de linguagens recorrentes e significativas ao público alvo, tem, sem dúvidas, grande potencial de eficácia no que diz respeito à aprendizagem e ao desenvolvimento dos estudantes.

Os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, com financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), lançou, em 2007, o Projeto Condigital que, em forma de edital, financiou o desenvolvimento de diversos conteúdos e recursos digitais multimídia voltadas para o Ensino Médio. O edital visou fomentar este tipo de produção por todo o Brasil, de forma a montar um repositório para o uso e reuso do material. Desde então, muitas outras iniciativas surgiram e os objetos educacionais passaram a ocupar maiores espaços dentro das instituições de ensino brasileiras. Alinhado a uma tendência mundial, o uso de objetos educacionais deverá trazer inúmeros benefícios para os alunos, professores e instituições de ensino, proporcionando uma rica e complexa melhora ao ensino do país.

Banco Internacional de Objetos Educaionais

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/

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A história oral e o retrato multifacetado das histórias dos lugares: o bairro de Pinheiros

Por Marcela Boni

Finalizar um trabalho de história oral nem sempre significa concluir a realização das entrevistas previstas. Ao contrário, ainda que seja este um momento de definições fundamentais, há sempre o “depois”. Escrever sobre as etapas do projeto e o trabalho de campo é ferramenta norteadora, porém o que fazer com todo o material coletado?

Encontramo-nos exatamente neste momento. O projeto sobre a história do bairro de Pinheiros, realizado pela Fala Escrita nos últimos meses, acaba de encerrar sua fase crucial, a coleta de histórias de pessoas que vivem ou viveram nestes espaços. Lugares de memória e em constante transformação, cuja relevância pode ser percebida com ênfase cada vez maior à medida em que conhecíamos diferentes narradores e suas experiências. O cenário das histórias era aparentemente o mesmo – as ruas, o Largo da Batata, a igreja Nossa Senhora de Mont Serrat, o Mercado, as casas noturnas, o Colégio Fernão Dias… Mas, quantas eram as temporalidades!

A seleção dos entrevistados é sempre um processo delicado. Contemplar diferenças mostra-se de fundamental importância, uma vez que o que se busca é um retrato multifacetado desta história. Assim, mulheres e homens de diferentes gerações, formações e convicções foram nossos colaboradores nesta iniciativa. Cada um, a partir de seu lugar, nos mostrou seu bairro de Pinheiros e, assim, passamos e construir o nosso. Este, certamente o resultado das tantas histórias que ouvimos e que nos ressignificaram cada espaço por onde passamos.

Imagem produzida pela Trupe Olho da Rua

Imagem produzida pela Trupe Olho da Rua

As ruas Teodoro Sampaio e Cardeal Arcoverde passaram a ser também aquelas por onde passavam os bondes. A dos Pinheiros, de terra e paralelepípedo outrora, tornou-se aos poucos centro gastronômico da cidade e importante ponto de casas noturnas e badalação, situação somente modificada com a mudança de foco para a Vila Madalena.

O Largo da Batata e suas adjacências, importante centro comercial desde a extinta Cooperativa Agrícola de Cotia, mostrou-se espaço de incerteza, sobretudo para antigos comerciantes, que veem na revitalização impulsionada também pelo metrô a perda de um espaço há muito tempo referência para suas atividades. A imponência da verticalização indicando uma nova paisagem, mudança sentida pelo lado positivo e negativo. Novas preocupações surgindo, como questões ambientais e de qualidade de vida.

Pinheiros, através das falas de nossos colaboradores, é também aquele lugar que de tanto mudar não é mais sentido como a antiga “casa”, a perda de identidade aflorada pela instalação de redes comerciais que não mais lembram aquele contato pessoal entre comerciantes e moradores. Não se negam as vantagens das mudanças vindas com a modernização, mas muito disso fica agora somente na lembrança.

Mas, Pinheiros também se descortinou aos nossos olhos como o bairro cosmopolita, privilegiado como morada por estudantes e profissionais estrangeiros, dada sua proximidade com o centro de São Paulo, além da grande variedade de serviços oferecidos em todas as áreas. Passou a ser, ainda, o lugar da diversidade, onde as diversas tribos têm seu espaço e convivem com harmonia suas diferenças e orientações.

O metrô, grande mote de nossa pesquisa, foi apontado por todos como uma mudança importante e que, a despeito dos pontos negativos, representa uma necessidade urbana e que pode facilitar não somente o deslocamento dos moradores locais, mas contribuir com a democratização dos espaços da cidade, permitindo que pessoas de outros lugares possam ver e viver experiência também ali, em Pinheiros.


Militância e desvitimização marcam projeto de história oral da SDPD

Por Marcela Boni

A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD) disponibiliza, desde o dia 1 de fevereiro, novidades na exposição permanente do Memorial da Inclusão.

A partir disto, o público pode, além de experimentar a visita totalmente acessível ao Memorial, conhecer um pouco mais das histórias de vida das pessoas que fizeram, e algumas ainda fazem, parte dos movimentos relacionados às lutas pelos direitos das pessoas com deficiências.

Essas narrativas são apresentadas em um totem onde os protagonistas destas trajetórias de vida contam um pouco de suas lutas e experiências. Os videos foram produzidos pela Fala Escrita a partir de entrevistas realizadas através do Projeto de História Oral da SDPD.

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Cerca de 40 militantes narraram episódios pessoais e coletivos que nos ajudam a compreender com mais clareza importantes iniciativas que ao logo dos últimos 30 anos se tornaram cada vez mais notáveis socialmente. Isto pois resultaram em propostas, discussões, divergências e concordâncias, manifestações e, sobretudo, conquistas.

Direitos hoje politicamente reconhecidos como os de acessibilidade e igualdade na educação e no mercado de trabalho, bem como a formulação de dispositivos legais e constitucionais, além de diálogos que se estendem pelo território nacional e mesmo internacionalmente configuram um pouco do que pode ser conferido a partir de agora no Memorial.

Histórias de vida intensamente marcadas pela militância e que contribuem com a desvitimização de um grupo, que evidencia cada vez mais seu potencial criativo e ativista.


Ouvir e contar histórias: possibilidades narrativas na contemporaneidade

Por Marcela Boni

Ouvir e contar histórias são aspectos inerentes à humanidade desde tempos imemoriais. Podemos nos remeter aos moldes mais distantes cronologicamente desta prática até os mais atuais e que lançam mão cada vez com maior intensidade das novas tecnologias.

Tradição e modernidade se misturam e observamos ao longo do tempo um interesse permanente em conhecer histórias em suas mais variadas modalidades. Para além da formalidade do mundo acadêmico, em que teorias e métodos amparam pesquisas sobre os processos históricos, a sociedade permanentemente aponta demandas por conhecer a experiência humana.

Se durante muito tempo foram as figuras públicas o foco da atenção do grande público, as histórias de vida das pessoas “comuns” sempre tiveram espaço em sociedades marcadas pela oralidade, em que a experiência humana continuamente fora fonte de ensinamentos e descobertas. A figura do griot é exemplar no caso de diversos grupos sociais africanos e atualmente tem ganhado espaço, inclusive, em propostas oferecidas pelas universidades.

Ao nos direcionarmos para a comunicação de massa a tendência não é diferente. A despeito da qualidade no trato com as histórias e com seus protagonistas, podemos verificar no rádio, na televisão, no cinema e em tantos outros meios um apelo crescente à realidade vivenciada por sujeitos em seu cotidiano.

A história oral, por sua vez, apresenta-se como procedimento utilizado por grande número de profissionais de diferente áreas do conhecimento, que buscam nesta metodologia um tratamento apropriado para lidar com as histórias de vida. Seu aspecto amplamente transdisciplinar nos convida a refletir acerca das conexões entre formas diferentes de produzir conhecimentos, mas que têm em comum a mesma fonte de inspiração: a experiência humana, seus conflitos e suas conquistas.

A realização de entrevistas, enquanto procedimento compartilhado apresenta diferenças mas, mais que isso, nos aproxima enquanto sujeitos que ouvimos e contamos histórias. A identificação não para por aí! O comprometimento em tornar públicas as experiências das pessoas requer antes de tudo o compromisso em fazê-lo de forma competente e sensível.

Sendo mais formal e acadêmico ou literário e poético, os trabalhos com narrativas na contemporaneidade têm produzido resultados que demonstram novas formas de conhecer os processos sociais e históricos e chama atenção a multiplicidade tanto na coleta de material quanto em suas formas de publicização.

Fala Escrita recentemente iniciou um frutífero diálogo com projetos que se apóiam tanto na criação de lugares de memória e elaboração de performances teatrais, quanto na produção de iniciativas que mesclam entrevistas, gêneros literários e, sobretudo, atestam o compromisso com a pluralidade de pontos de vista e respeito à diversidade.

Assim foi com o projeto Impressões Humanasidealizado por Marcia Nicolau e que mistura a realização de entrevistas de história de vida com a produção literária pautada numa visão humanizada das narrativas. A poeticidade se agrega à pesquisa e os resultado nos aproxima do modelo novelístico.

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Os protagonistas das minisséries literárias se deparam com uma nova versão de suas vidas. Apresentadas em capítulos, são narrativas que indicam os episódios que marcaram tanto a vida dos narradores quanto da ouvinte-narradora. As imagens selecionadas ilustram momentos especiais e o resultado disso tudo é surpreendente.

A parceria que se travou entre a Fala Escrita e o Impressões Humanas foi além das expectativas e pesquisadoras da Fala Escrita se tornaram protagonistas da última minissérie literária. A experiência mesclou a troca de informações e emoções, elementos que contribuíram para novas reflexões práticas e teóricas sobre o fazer da história oral e sobre os caminhos que se abrem para as narrativas na contemporaneidade.


Memorial da Inclusão inaugura projeto de História Oral

Por Marcela Boni

O Memorial da Inclusão, iniciativa da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD), inaugura amanhã os resultados de seu Projeto de História Oral.

Fala Escrita, com a coordenação da pesquisadora e historiadora Suzana Lopes Salgado Ribeiro, foi responsável pela realização das entrevistas, roteirização do material e edição dos vídeos que irão integrar a exposição.

Trata-se de um projeto que tem como ponto de partida o conhecimento e valorização das trajetórias de pessoas com deficiência que participaram de movimentos sociais ligados à questão. Tendo como mote o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência (1981), cerca de 40 pessoas contaram suas histórias de vida e suas experiências ligadas à luta pelos direitos de acessibilidade e participação na sociedade brasileira.

Parte dessas histórias de vida poderá ser apreciada no totem que apresentará esses vídeos, que falam sobre trabalho, educação, lazer, acessibilidade, enfim, sobre os direitos universais e, que a partir da luta dessas pessoas, passaram a fazer parte da agenda política de nossa sociedade.

A exposição, cuja acessibilidade é total, pode ser visitada, inclusive, on line.

Memorial da Inclusão

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Ao visitar essa exposição é possível compreender melhor as diversidades que existem em nossa sociedade e, sobretudo, desmistificar noções amparadas no assistencialismo. O protagonismo das pessoas com deficiência é mais uma parte que precisa ser evidenciada e o os frutos de tanta luta podem ser percebidos no cotidiano de todos nós, pessoas com deficiências ou não.

A história oral, por sua vez, foi fundamental para que essas vozes ganhem ainda mais eco! E que este se propague incessantemente!

Vale a pena conhecer e aprender um pouco mais sobre nossa sociedade que é, indubitavelemente, formada por múltiplas vivências e pontos de vista!

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História Oral e trabalho de campo: inspirações antropológicas

Por Marcela Boni

As discussões que envolvem trabalhos de história oral frequentemente abordam a realização de entrevistas e seus desdobramentos. Sabemos que há muito além disso envolvido neste fazer e, em diferentes momentos, nos debruçamos sobre outros aspectos, os quais são indispensáveis no desenvolvimentos destes estudos.

As relações interdisciplinares, por sua permanência e cada vez maior relevância, nos convidam a refletir acerca de elementos como a utilização do caderno de campo, das novas tecnologias e dos tantos desdobramentos possíveis a partir das entrevistas.

O trabalho de campo, ainda que inerente à prática da história oral, pode e deve ser problematizado não somente no que diz respeito à intersubjetividade que marca o encontro entre pesquisador e entrevistado. Além disso, é necessário destacar que neste processo estão presentes os diferentes olhares a respeito dos elementos trazidos pelas narrativas.

Em estudos que se amparam nas histórias dos lugares, trazemos à tona as percepções que humanizam os espaços, mas não nos isentamos de nossas impressões enquanto observadores. O estar lá não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade para que os resultados do trabalho possam fazer sentido. Ainda que a produção das análises se configure no estar aqui, a experiência vivida no trabalho de campo se mostra fundamental para a produção de conhecimentos.

Percorrer os espaços estudados, observar suas particularidades e transformações, sentir seus cheiros e gostos são ingredientes indispensáveis para as reflexões que fazem parte da pesquisa.

Em trabalho recente desenvolvido pela Fala Escrita, o bairro de Pinheiros e suas atuais transformações, promovidas principalmente pela implementação do metrô na região, tem sido espaço de encontro com diferentes personagens do local, mas também de vivência e experiência dos pesquisadores envolvidos.

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Estar em campo possibilita, assim, que as histórias ouvidas ganhem contornos únicos, porque compartilhados. Os múltiplos olhares podem, desta forma, promover reflexões ainda mais consistentes e os resultados permitem a convergência do estar lá e estar aqui, aspecto que a Antropologia nos convida a pensar a partir de autores como Clifford Geertz.


História oral institucional: valorização de experiências e produção documental

Por Marcela Boni

A ampliação dos usos da história oral, enquanto movimento em franca expansão, nos estimula a colocar em pauta vertente que se mostra promissora tanto para aqueles que trabalham na área como para os que verificam nesta tendência a possibilidade de agregar aos seus projetos novas potencialidades.

Falamos do ramo da história oral institucional que, embora seja conhecido de poucos, é considerado instrumento de inovação e indica mudanças substanciais nos paradigmas institucionais. E quando falamos em instituições, nos referimos desde grandes corporações até aquelas que inserem em suas expectativas objetivos que vão além de conquistas materiais.

A contemporaneidade tem sido palco de formas inéditas de manifestação e reconhecimento identitário. Neste fluxo, as subjetividades encontram espaço tanto para sua valorização quanto para uma produção documental inédita e comprometida com aspectos até pouco tempo desconhecidos.

Neste sentido, as mais variadas instituições buscam se conhecer e, para tanto, passam a buscar informações não apenas em seus registros burocráticos, mas nas experiências daqueles que participaram dos processos que as constituíram e que conferem cores mais humanas às histórias corporativas.

Tais iniciativas permitem a geração de nova documentação, esta mais sensível e humanizada, além de contribuir com inúmeras atividades relacionadas ao cotidiano institucional, sobretudo as relacionadas com ações coletivas dentro e fora dos núcleos institucionais.

São muitas as possibilidades de aproveitamento dos materiais produzidos a partir das narrativas de seus integrantes, o que permite reconhecimento dessas experiências que, mais que profissionais, fazem parte das trajetórias de vida de grande número de pessoas. Para além da valorização interna de tais experiências, o potencial de reconhecimento social é diferenciado e amplificado.

A base para a implementação de projetos deste tipo, contudo, demanda conhecimentos específicos, os quais se amparam nos procedimentos da história oral. “Cabe, contudo, ressaltar, que quando bem feitas tais histórias orais realizam profundos estudos sobre contextos históricos e até mesmo levantamentos documentais internos”. Daí a ênfase na necessidade de profissionais capacitados para realizarem tais projetos que, ainda que financiados pelas instituições, preconizam o respeito pelas subjetividades de todos os envolvidos.

Com isso, tanto os empreendedores quanto os que permitem a concretização dos projetos institucionais e seu funcionamento são contemplados a partir de suas visões de mundo.

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Desta forma, empresas, escolas, assim como grupos cooperativos em geral, têm a possibilidade de alinhar ao menos duas frentes fundamentais: a valorização das experiências de seus colaboradores e a produção de documentos que permitem às novas gerações conhecer as trajetórias institucionais.

Fala Escrita tem realizado diversos projetos nesta área, sendo um dos mais recentes o implementado pela Duke Energy. A iniciativa em questão gerou, entre outros produtos, o site que pode ser conhecido no link abaixo, onde é possível conhecer tanto o processo de construção, implementação e funcionamento das usinas hidrelétricas do Paranapanema através da Linha do Tempo, quanto as experiências de gestores e funcionários da instituição através dos anos de seu funcionamento. As múltiplas visões presentes na construção desta corporação podem ser conhecidas e reconhecidas a partir das entrevistas realizadas com os preceitos da história oral.

Memória Duke