ABERJE entrevista Suzana Ribeiro

“Suzana Ribeiro integra na Aberje o núcleo temático de memória, narrativas organizacionais e storytelling na área de cursos, composto por cinco iniciativas durante todo o segundo semestre de 2013. E faz estreia na programação com “Como Fazer Projetos de Storytelling na Comunicação Organizacional”. Em entrevista para o portal Aberje, Suzana comenta que é importante que a comunicação institucional conheça como pode se tornar mais efetiva diante da falta de sentido e da destruição da continuidade dos saberes entre as gerações vista no mercado. Diante da aceleração do tempo, o conhecimento proveniente da experiência tem sido desvalorizado, assim como seu protagonista. As inteligências trazidas pelo campo da História podem ser uma forma de estabelecer uma comunicação dialógica, subjetiva e portanto mais próxima do público. Assim é, em sua visão, o caso do storytelling, apresentado como possibilidade de documentar acontecimentos relevantes e registrar narrativas que possibilitam uma criação de elos identitários, além da valorização da vida e da experiência das pessoas e dos grupos. “Comunicar em tempos atuais é um desafio, e é preciso ter alternativas com criatividade e competência”, opina.

A Aberje torna-se pioneira nessa disseminação de conhecimento porque o uso institucional de storytelling é ainda recente no Brasil e no mundo. Mas há grandes grupos que vêm desenvolvendo pesquisas e outros que vêm aplicando esses conhecimentos na área da comunicação. Ela aponta que os próprios grupos acadêmicos que estudam narratividade, oralidade ou mesmo história oral têm grandes contribuições. Ainda assim, para haver uma consolidação da relevância dessa perspectiva, a instrutora entende que poderia haver mais diálogo entre os campos. Ela destaca o GENN – Grupo de Estudos em Novas Narrativas, com pessoas oriundas dos contextos de pesquisa e de aplicação, buscando um vocabulário e uma compreensão compartilhada dos usos e potencialidades de uma comunicação narrativa, como um exemplo a ser seguido. E completa: “o storytelling certamente se encaixa aí, mas não com a centralidade que merece. Assim, os núcleos em que é estudado com maior protagonismo ainda estão fora do Brasil. Um nome que se destaca é o Center for Digital Storytelling”. Aliás, o diretor deste espaço, o norte-americano Joe Lambert, esteve no Brasil recentemente para atividades na Aberje.

Este assunto na comunicação ainda não ganha a atenção devida, na opinião da pesquisadora. Suzana visualiza um grupo ainda pequeno já preocupado com essas novas demandas. Em geral, avalia que a comunicação corporativa insiste em ser unidirecional, impessoal e meramente informativa. Numa sociedade que vive de estímulos em cadeia, isto é muito perigoso, porque efêmero. Como resultado disso, alerta que há uma grande indiferença aos discursos enunciados que não partilham experiências reais. “Importa lembrar que a indiferença se dá por excesso e não por falta, por exagero e não privação”, assinala. Para inverter este processo é preciso qualificar, humanizar o ato comunicativo, e o storytelling é uma alternativa para alcançar este objetivo.

CURSO – Há um crescente número de trabalhos realizados voltados para a questão da memória e da identidade e, particularmente, frente à demanda de se fazer o registro das narrativas de pessoas que construíram e constroem a história de suas organizações. E para abordar as características da organização e produção de um projeto de storytelling, da construção da memória e da identidade, além das principais questões metodológicas e éticas que envolvem esse tipo de trabalho, Suzana desenvolve o curso “Como Fazer Projetos de Storytelling na Comunicação Organizacional” no dia 21 em São Paulo/SP. Detalhes do conteúdo programático podem ser conferidos neste link, onde também é possível fazer inscrição on-line.

Suzana Ribeiro graduou-se em História pela Universidade de São Paulo, onde também concluiu seu mestrado e seu doutorado em História Social. Atualmente é professora da Unip – Universidade Paulista e pesquisadora do Centro Simão Mathias de História da Ciência, Cesima da PUC-SP e do Núcleo de Estudos em História Oral/Neho da USP. Lecionou na Universidade Agostinho Neto em Luanda/Angola e realizou estágio de pesquisa no Oral History Research Office da Universidade de Columbia em Nova York/EUA. É autora de livros, como “Guia prático de História Oral’; ‘Vozes da marcha pela terra’ (indicado para o prêmio Jabuti em 1998), ‘Vozes da Terra – história de vida dos assentados rurais de São Paulo’; e ‘Produção do conhecimento histórico’, além de artigos em livros e periódicos.”

 

Link da entrevista: http://www.aberje.com.br/acervo_not_ver.asp?ID_NOTICIA=9231&EDITORIA=Cursos%20Aberje

Anúncios

Sobre falaeescrita

Doutora em História Oral pela FFLCH da USP Ver todos os artigos de falaeescrita

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: