História Oral e trabalho de campo: inspirações antropológicas

Por Marcela Boni

As discussões que envolvem trabalhos de história oral frequentemente abordam a realização de entrevistas e seus desdobramentos. Sabemos que há muito além disso envolvido neste fazer e, em diferentes momentos, nos debruçamos sobre outros aspectos, os quais são indispensáveis no desenvolvimentos destes estudos.

As relações interdisciplinares, por sua permanência e cada vez maior relevância, nos convidam a refletir acerca de elementos como a utilização do caderno de campo, das novas tecnologias e dos tantos desdobramentos possíveis a partir das entrevistas.

O trabalho de campo, ainda que inerente à prática da história oral, pode e deve ser problematizado não somente no que diz respeito à intersubjetividade que marca o encontro entre pesquisador e entrevistado. Além disso, é necessário destacar que neste processo estão presentes os diferentes olhares a respeito dos elementos trazidos pelas narrativas.

Em estudos que se amparam nas histórias dos lugares, trazemos à tona as percepções que humanizam os espaços, mas não nos isentamos de nossas impressões enquanto observadores. O estar lá não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade para que os resultados do trabalho possam fazer sentido. Ainda que a produção das análises se configure no estar aqui, a experiência vivida no trabalho de campo se mostra fundamental para a produção de conhecimentos.

Percorrer os espaços estudados, observar suas particularidades e transformações, sentir seus cheiros e gostos são ingredientes indispensáveis para as reflexões que fazem parte da pesquisa.

Em trabalho recente desenvolvido pela Fala Escrita, o bairro de Pinheiros e suas atuais transformações, promovidas principalmente pela implementação do metrô na região, tem sido espaço de encontro com diferentes personagens do local, mas também de vivência e experiência dos pesquisadores envolvidos.

batata

Estar em campo possibilita, assim, que as histórias ouvidas ganhem contornos únicos, porque compartilhados. Os múltiplos olhares podem, desta forma, promover reflexões ainda mais consistentes e os resultados permitem a convergência do estar lá e estar aqui, aspecto que a Antropologia nos convida a pensar a partir de autores como Clifford Geertz.

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Doutora em História Oral pela FFLCH da USP Ver todos os artigos de falaeescrita

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