História oral institucional: valorização de experiências e produção documental

Por Marcela Boni

A ampliação dos usos da história oral, enquanto movimento em franca expansão, nos estimula a colocar em pauta vertente que se mostra promissora tanto para aqueles que trabalham na área como para os que verificam nesta tendência a possibilidade de agregar aos seus projetos novas potencialidades.

Falamos do ramo da história oral institucional que, embora seja conhecido de poucos, é considerado instrumento de inovação e indica mudanças substanciais nos paradigmas institucionais. E quando falamos em instituições, nos referimos desde grandes corporações até aquelas que inserem em suas expectativas objetivos que vão além de conquistas materiais.

A contemporaneidade tem sido palco de formas inéditas de manifestação e reconhecimento identitário. Neste fluxo, as subjetividades encontram espaço tanto para sua valorização quanto para uma produção documental inédita e comprometida com aspectos até pouco tempo desconhecidos.

Neste sentido, as mais variadas instituições buscam se conhecer e, para tanto, passam a buscar informações não apenas em seus registros burocráticos, mas nas experiências daqueles que participaram dos processos que as constituíram e que conferem cores mais humanas às histórias corporativas.

Tais iniciativas permitem a geração de nova documentação, esta mais sensível e humanizada, além de contribuir com inúmeras atividades relacionadas ao cotidiano institucional, sobretudo as relacionadas com ações coletivas dentro e fora dos núcleos institucionais.

São muitas as possibilidades de aproveitamento dos materiais produzidos a partir das narrativas de seus integrantes, o que permite reconhecimento dessas experiências que, mais que profissionais, fazem parte das trajetórias de vida de grande número de pessoas. Para além da valorização interna de tais experiências, o potencial de reconhecimento social é diferenciado e amplificado.

A base para a implementação de projetos deste tipo, contudo, demanda conhecimentos específicos, os quais se amparam nos procedimentos da história oral. “Cabe, contudo, ressaltar, que quando bem feitas tais histórias orais realizam profundos estudos sobre contextos históricos e até mesmo levantamentos documentais internos”. Daí a ênfase na necessidade de profissionais capacitados para realizarem tais projetos que, ainda que financiados pelas instituições, preconizam o respeito pelas subjetividades de todos os envolvidos.

Com isso, tanto os empreendedores quanto os que permitem a concretização dos projetos institucionais e seu funcionamento são contemplados a partir de suas visões de mundo.

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Desta forma, empresas, escolas, assim como grupos cooperativos em geral, têm a possibilidade de alinhar ao menos duas frentes fundamentais: a valorização das experiências de seus colaboradores e a produção de documentos que permitem às novas gerações conhecer as trajetórias institucionais.

Fala Escrita tem realizado diversos projetos nesta área, sendo um dos mais recentes o implementado pela Duke Energy. A iniciativa em questão gerou, entre outros produtos, o site que pode ser conhecido no link abaixo, onde é possível conhecer tanto o processo de construção, implementação e funcionamento das usinas hidrelétricas do Paranapanema através da Linha do Tempo, quanto as experiências de gestores e funcionários da instituição através dos anos de seu funcionamento. As múltiplas visões presentes na construção desta corporação podem ser conhecidas e reconhecidas a partir das entrevistas realizadas com os preceitos da história oral.

Memória Duke

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Doutora em História Oral pela FFLCH da USP Ver todos os artigos de falaeescrita

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