Performance de quem? Performance para quem?

Quando ouvimos ou lemos a palavra performance imediatamente nos vem à mente algum tipo de manifestação cultural artística, tal como teatro, música, cinema ou mesmo televisão. Fato é que aliamos à idéia de performance algo indiscutivelmente ligado à atuação profissional.

Esquecemo-nos que cotidianamente somos influenciados por um turblhão de incentivos, para não falar imposições, comportamentais. Quem nunca se viu às voltas com o guarda-roupas para escolher o melhor modelo para uma palestra, encontro ou mesmo entrevista de trabalho? E quantas não foram as vezes em que treinamos em frente a um espelho a melhor maneira de nos expressarmos diante de alguém ou de um público? Indo para as vias de fato, quantos de nós, ao exercermos qualquer atividade diária, não estamos acordados com algum tipo de intenção para nossas audiências?

Ao sairmos do universo prosaico do dia a dia, nos posicionamos frente situações que são ainda mais esclarecedoras. Os profissionais que lidam com entrevistas, como antropólogos, sociólogos, oralistas, psicólogos, sobretudo os que se apóiam em histórias de vida, se deparam com narrativas que são construídas a partir de situações específicas.

O momento da entrevista, por si só, é repleto de performances. Comumente enfatizamos a fala do entrevistado, mas também o entrevistador se investe de comportamentos que lhe parecem plausíveis para a situação. Estamos, sem dúvida, diante de uma performance!

Nada disso seria tão evidente não fosse a presença desses corpos em movimento ou mesmo suas formas alternativas de dizer-se. A oralidade é um dos recursos mais presentes em muitas performances. Mas, o que dizer sobre os corpos que falam sem emitirem qualquer som? E quantas línguas podem ser “faladas” para que ideias e opiniões sejam publicizadas?

O corpo, por assim dizer, se mostra como território performático a partir do qual múltiplas manifestações podem vir à tona. O corpo fala! E fala de política, de direitos, de desejos e anseios. Estamos diante de “acontecimentos poéticos”, de acordo com Paul Zumthor. E que bom poder discutir sobre isso.

Tais foram alguns dos pontos abordados na Oficina “Oralidades e Performances na Cultura Digital” promovida pelo NEHO-USP, com a participação das historiadoras Andrea Paula dos Santos e Suzana Lopes Salgado Ribeiro.  Momento de reflexão que merece continuação!

Por Marcela Boni

Sobre falaeescrita

Doutora em História Oral pela FFLCH da USP Ver todos os artigos de falaeescrita

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